Agência espacial indiana ISRO anunciou primeiro teste bem sucedido com um vaivém espacial experimental não tripulado. A nave deverá entrar em operação daqui a 15 anos
É ainda um vaivém experimental não tripulado, com apenas sete metros de comprimento, ou seja, com um sexto da dimensão que o engenho espacial terá no futuro, mas o seu lançamento, ontem, a partir da base espacial localizada a norte de Chennai, na Índia, tornou-se um novo marco do programa espacial daquele país. A Índia reafirma, assim, a sua aposta no espaço e a intenção de também participar nesta corrida, depois do seu êxito anterior com a sonda Mangalyaan, enviada para Marte.
O vaivém espacial indiano ainda tem muito que andar, só deverá ficar operacional dentro de 15 anos, mas este lançamento, que serviu sobretudo para testar a manobra de reentrada na atmosfera, sem a expectativa de recuperação do engenho, é um primeiro sucesso no desenvolvimento de tecnologia própria para os voos de ida e volta para a órbita terrestre por parte da agência espacial indiana, a ISRO.
Foram nesse sentido, aliás, as declarações do porta-voz da ISRO, após o lançamento do mini-engenho espacial. "Concluímos com sucesso a missão RLV [Reusable Launch Vehicle] de demonstração tecnológica", afirmou Devi Prasad Karnik, no final da missão.
Com a suas quase duas toneladas, o mini-vaivém atingiu uma altitude de 70 quilómetros, tendo depois iniciado a descida e a reentrada na atmosfera, para posteriormente cair em pleno oceano.
Esta primeira missão terá servido, sobretudo, para analisar a velocidade da reentrada da nave na atmosfera terrestre, e é apenas o início de uma caminhada que ainda vai prolongar-se por mais de uma década. Mas, com este novo sucesso, a Índia constitui-se como dos países que está apostado em desenvolver vaivéns espaciais para voos tripulados, um "segmento de negócio" em que alguns pesos pesados da indústria dos Estados Unidos estão a apostar alto ( e há mais tempo), com o apoio da NASA, que cancelou o seu próprio programa de vaivéns, em 2011.
Nos Estados Unidos, um dos projetos mais avançados neste campo é o da SpaceX, que além de uma nave reutilizável está a desenvolver também um lançador espacial próprio, mas a Europa, a Rússia e o Japão também estão a desenvolver as suas próprias tecnologias nesta área do espaço.
O protótipo europeu, o IXV, de Intermediate eXperimental Vehicle, já fez aliás, no ano passado, uma volta completa na órbita terrestre e amarou depois junto às Galápagos, no que foi considerado como um grande sucesso pela ESA, a agência espacial europeia.
Acabada de entrar nesta corrida, a Índia não poupou esforços financeiros para cumprir este primeiro lançamento experimenta. Desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos, o mini-vaivém representou um investimento global de 12,5 milhões de euros.
Em 2014, a Índia celebrou o seu primeiro grande feito espacial ao colocar uma sonda na órbita de Marte. Tornou-se também o primeiro país asiático a cumprir sozinho uma missão dessa envergadura. A China, que nos últimos anos também se voltou em força para o espaço, preferiu investir nos voos tripulados e na construção da sua própria estação espacial, cujos primeiros módulos já estão operacionais e já receberam temporariamente os primeiros astronautas.
Lançada com estrondo a 5 de novembro de 2013, a sonda marciana "low cost" da Índia - custou cerca de 57 milhões de euros, praticamente um décimo das suas congéneres americanas - chegou ao Planeta Vermelho em setembro de 2014, entrou com sucesso na sua órbita logo à primeira tentativa e, poucas horas depois, mandou as suas primeiras fotos, atestando um funcionamento sem mácula.
A missão, que além das imagens da superfície do planeta está a recolher dados para se compreender melhor o clima marciano, bem como o destino da água que já ali correu há milhões de anos, continua operacional.
Além da sonda marciana e do futuro vaivém, a Índia está também a investir num programa próprio de navegação por satélite, o IRNSS (as iniciais em língua inglesa da expressão sistema de navegação regional por satélite da Índia), que inclui sete satélites, todos eles já em órbita - o último foi lançado com sucesso a 28 de abril. O início de operação do sistema está previsto para o próximo mês de junho, tornando-se autónoma aí também.